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IA na prática · Viés

Nunca conte à IA o que você acha que tem

Ancoragem em pergunta de analytics: como escrever pergunta para a IA do mesmo jeito que se escreve pergunta para o dado.

1 de outubro de 20262 min de leituraIA NA PRÁTICA · 03
Nunca conte à IA o que você acha que tem

Um episódio recente do Silicon Valley Girl tem um título que eu levaria para qualquer time de dados: "Médico de Stanford alerta: nunca conte à IA o que você acha que tem".

Na medicina, o paciente que chega dizendo "acho que é X" puxa o diagnóstico para X. Com a IA, acontece o mesmo.

Em analytics, a versão é esta: "Por que o Meta fez o CAC subir?"

A pergunta já traz a resposta. O modelo, ou o analista, vai procurar evidência contra o Meta e parar quando encontrar.

É viés de confirmação, e a pergunta ainda funciona como âncora: Tversky e Kahneman mostraram em 1974 como um ponto de partida puxa a resposta. A IA não inventou esses vieses. Só ficou rápida demais para confirmá-los.

Num projeto de retenção, a regra número um foi dado antes de hipótese. Toda afirmação que chegava, como "o problema é preço", virava pergunta a ser respondida com número. A liderança achava que o problema era churn. Era downgrade.

Hoje eu escrevo pergunta para a IA como escrevo pergunta para o dado:

  • "o que mudou no CAC nas últimas 4 semanas, por canal?" no lugar de "por que o Meta piorou?"
  • peço os três fatores que mais explicam a variação, não a confirmação de um
  • só depois conto a minha hipótese, e peço que ela tente derrubá-la

Qual foi a última pergunta que você fez a uma IA já sabendo a resposta que queria?

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